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16/10/2013

Programa Agricultura Familiar e Agroecologia

Uma cadeia solidária para as frutas nativas

O 1º Encontro Estadual da Cadeia Solidária das Frutas Nativas aconteceu em 27 de agosto, no Espaço Internacional da maior feira agropecuária da América Latina, a Expointer. Um espaço conquistado por 120 agricultores familiares, representantes de entidades que os assessoram, acadêmicos e gestores públicos, que debateram o passado, o presente e o futuro de guabirobas, butiás, juçaras, goiabas e outras frutas nativas, que nascem espontâneas na geografia do Rio Grande do Sul. Elas que foram negligenciadas pela agricultura, pela indústria e pelos consumidores, e que agora são redescobertas como forma de preservar a biodiversidade, se alimentar com sabor e qualidade e gerar renda para quem está aprendendo a valorizá-las.

Realizado pela Secretaria de Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sesampe) em parceria com diversas organizações, entre as quais a Anama, o Cetap e o Centro Ecológico, o encontro debateu os processos de plantio, cultivo, colheita, armazenamento, beneficiamento e comercialização, com foco no fortalecimento e na consolidação da cadeia de frutas nativas. Foram apresentadas demandas dos produtores, definidas diretrizes e encaminhamentos para o setor.

 

O que disseram os participantes do encontro:

 

Nelsa Nespolo, uma das organizadoras do evento e diretora do Departamento de Incentivo e Fomento à Economia Solidária do RS:

“Trabalhar com frutas nativas é especial também porque envolve a preservação do meio ambiente desde a mata. Um evento como este acaba integrando e dando força para os vários polos que estão trabalhando, faz a integração com as organizações urbanas, com quem comercializa os produtos. A gente valoriza uma riqueza que tem no nosso Estado porque traz de novo uma fruta que hoje não chega à mesa das pessoas. É uma cadeia que tem a economia solidária nas suas várias etapas, distribui renda. Fazer uma sociedade mais justa tem que ser desde o processo de produção e comercialização”.

 

Dona Eronita Isoppo Bonho, de Maquiné. Ela, que tem uma padaria e faz bolos, biscoitos e pães com frutas nativas, entre um chimarrão e outro reivindicou:

“A gente está precisando de apoio, de máquinas e acessórios para ter condições mais dignas de trabalho. Temos a associação Içara registrada há 2 anos, mas nos falta recursos. Precisamos de estrutura para fazer um prédio e poder trabalhar, porque fruta tem, inclusive se perde muita fruta por deixar de colher, porque não se tem como armazenar. Se tivermos melhor estrutura podemos expandir para a merenda escolar e para os restaurantes.”

 

Alvir Longhi integra a equipe técnica do Centro de Tecnologias Alternativas e Populares, além de ser um dos coordenadores do Encontro dos Sabores. No evento, ele falou também ao governador Tarso Genro:

“A maior importância deste encontro, além de discutir estratégias que sejam comuns para o Rio Grande do Sul na perspectiva de promover a cadeia solidária, é fortalecer uma identidade entre os atores envolvidos, os agricultores das diferentes regiões se enxergarem e saberem que não estão peleando sozinhos.

Estamos falando de uma valorização dos conhecimentos tradicionais, de um trabalho que busca associar a conservação com o uso dos nossos ecossistemas, algo que para a sociedade pode parecer antagônico. Preservar, cuidar e gerar renda na produção de alimentos parece estar em dimensões que não dialogam. A proposta de trabalho com as frutas nativas busca vencer isso. As espécies nativas cumprem a função ambiental ecológica e também geram renda. Se começa a mostrar que as alternativas de desenvolvimento sustentável que agregam concretamente à preservação ambiental é algo possível, na valorização de uma cultura.”

 

Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul:

“Se tivermos uma base centrada nos nossos agricultores e valorizarmos aquilo que o nosso território oferece, teremos uma chance de não sermos uniformizados pela globalização, que é comandada por 500 empresas transnacionais que se apropriam dos mercados e desconstituem as economias locais. E um ponto de resistência mais sensível, mais importante, popular e democrático é a economia solidária, porque é onde está o germe de uma ideia de solidariedade, de socialismo, de colaboração, de interação entre as pessoas que estão lutando pela sua sobrevivência, pela dignidade do seu futuro. A economia solidária combinada com frutas nativas é a essência disso. 

O crescimento econômico por si só não quer dizer nada. Pode acontecer crescimento econômico em que os ricos fiquem mais ricos e os pobres fiquem mais pobres. Não é isso que queremos.”

Mariana Oliveira Ramos, técnica da ANAMA:

“A gente trabalha fomentando a cadeia no Litoral Norte, com os eixos da produção, processamento, comercialização e educação para o consumo. Estamos desenvolvendo produtos a partir da polpas para tentar aproximar mais as frutas nativas dos consumidores, que de uma maneira geral estão distantes deste produto, não conhecem mais. E a gente tem avaliado que transformar este produtos em bolos, pães, tortas, geleias é uma forma mais rápida de chegar à população. Que aí sim desperta o interesse de conhecer a fruta, de onde vem, e a gente pode trabalhar todo o significado, todo o sentido colocado na cadeia das frutas nativas.

Hoje, a cadeia precisa de investimento público em todas as etapas, produção, processamento e comercialização, que vai ser garantido através de editais de assistência técnica e extensão rural, de financiamentos para agroindústrias multifuncionais de origem vegetal. Uma das estratégias de investimento que percebemos importante são os governos complementarem os recursos da alimentação escolar.”

 

O momento final do encontro foi uma delícia. Um coquetel de tortas e biscoitos de açaí de juçara, pastéis de butiá, croquetes de pinhão e outros quitutes de frutas nativas. Os convidados e produtores degustaram também sorvetes e sucos de açaí de juçara, guabiroba e butiá.

 

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